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Cannabis e Artrite Reumatóide: Casos Clínicos

3 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Pacientes Descritos

O principal estudo clínico controlado incluiu 58 pacientes com artrite reumatoide ativa que atendiam aos critérios do American College of Rheumatology, inadequadamente controlados com medicação padrão (Blake et al., 2006). Os participantes eram predominantemente mulheres (79,3%) com idade média de 62,8 anos e DAS28 médio de 5,9 (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).

Em estudo observacional mexicano, foram analisados 180 pacientes ambulatoriais com AR, sendo 160 (88,9%) mulheres com idade média de 53,4 ± 13 anos (Galindo-Donaire et al., 2023). Destes, 53 (29,4%) pacientes reportaram uso medicinal de cannabis nos 12 meses anteriores à entrevista, com 52 (98,1%) utilizando formulações tópicas (Galindo-Donaire et al., 2023).

Protocolo Utilizado

O ensaio clínico controlado avaliou spray oromucosal de nabiximols (2,7 mg de THC e 2,5 mg de CBD por ativação) versus placebo (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). O protocolo iniciou com 1 ativação por noite, com titulação a cada 2 dias até máximo de 6 doses, seguido de período de dose estável por 3 semanas (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). A dose média final foi de 14,58 mg de THC e 13,5 mg de CBD (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).

No estudo observacional, o uso medicinal de cannabis foi restrito principalmente a crises de dor aguda relacionadas à AR (n = 46, 86,8%) (Galindo-Donaire et al., 2023). Os pacientes combinaram o uso com cuidados de saúde institucionais, e apenas três (5,7%) mencionaram redução do tratamento reumatológico (Galindo-Donaire et al., 2023).

Resultados Observados

O ensaio clínico com nabiximols demonstrou melhorias estatisticamente significativas em comparação ao placebo na dor ao movimento, dor em repouso, qualidade do sono, DAS28 e componente de dor presente do SF-MPQ (Blake et al., 2006). A atividade da doença (DAS28) reduziu de 5,9 para 5,0 pontos, com diferença média de 0,9 pontos (margem de erro: 1,23–0,57 menos) (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).

Para dor, observou-se redução de 3,3 para 2,6 pontos no SF-MPQ, com diferença média de 0,7 pontos (margem de erro: 1,3–0,1 menos) (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). Não houve efeito na rigidez matinal, mas os escores basais eram baixos (Blake et al., 2006).

No estudo observacional, pacientes com uso medicinal de cannabis apresentaram maior atividade/gravidade da doença e qualidade de vida reduzida (Galindo-Donaire et al., 2023). Uma alta proporção de pacientes (n = 43, 81,1%) percebeu pelo menos algum benefício relacionado ao uso (Galindo-Donaire et al., 2023).

Considerações

Os eventos adversos do sistema nervoso foram mais frequentes com nabiximols (419 por 1000) comparado ao placebo (148 por 1000), incluindo tontura, sensação de cabeça leve, sonolência e cefaleia (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). A maioria dos efeitos adversos foi classificada como leve ou moderada, sem retiradas relacionadas a eventos adversos no grupo ativo (Blake et al., 2006).

Apenas 10 (18,9%) dos usuários de cannabis medicinal comunicaram seu uso ao médico reumatologista principal (Galindo-Donaire et al., 2023). O uso foi associado independentemente com maior abertura à experiência como traço de personalidade, uso moderado de tabaco e maior atividade/gravidade da AR (Galindo-Donaire et al., 2023).

A evidência atual baseia-se em apenas um ensaio clínico controlado, limitando extrapolações para outras doses, compostos, formas terapêuticas e vias de administração (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). O período de seguimento foi relativamente curto para uma condição crônica (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).

Referências Científicas

  1. [1] Galindo-Donaire, José R; Hernández-Molina, Gabriela; Fresán Orellana, Ana; Contreras-Yáñez, Irazú; Guaracha-Basáñez, Guillermo; Briseño-González, Oswaldo; Pascual-Ramos, Virginia (2023). The role of personality traits on self-medicated cannabis in rheumatoid arthritis patients: A multivariable analysis.. PloS one. PMID: 36634127
  2. [2] Schulze-Schiappacasse, Clara; Durán, Josefina; Bravo-Jeria, Rocío; Verdugo-Paiva, Francisca; Morel, Macarena; Rada, Gabriel (2022). Are Cannabis, Cannabis-Derived Products, and Synthetic Cannabinoids a Therapeutic Tool for Rheumatoid Arthritis? A Friendly Summary of the Body of Evidence.. Journal of clinical rheumatology : practical reports on rheumatic & musculoskeletal diseases. PMID: 33859125
  3. [3] Blake, D R; Robson, P; Ho, M; Jubb, R W; McCabe, C S (2006). Preliminary assessment of the efficacy, tolerability and safety of a cannabis-based medicine (Sativex) in the treatment of pain caused by rheumatoid arthritis.. Rheumatology (Oxford, England). PMID: 16282192

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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