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Uma revisão sistemática abrangente identificou 26 revisões sistemáticas que incluíram apenas um único ensaio clínico randomizado avaliando cannabis medicinal em artrite reumatoide (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). Este estudo avaliou nabiximols (spray oromucosal contendo 2,7 mg de THC e 2,5 mg de CBD por ativação) versus placebo em 58 pacientes com AR ativa não adequadamente controlada por medicação padrão (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).
Estudos pré-clínicos recentes têm explorado mecanismos específicos dos canabinoides na AR. O CBD demonstrou regular o metabolismo de L-carnitina e ácido butírico através da modulação da microbiota intestinal em ratos com artrite induzida por colágeno (Geng et al., 2025). Adicionalmente, o CBD foi identificado como agonista do PPARG, promovendo autofagia e reduzindo espécies reativas de oxigênio em macrófagos (Geng et al., 2024).
Principais Resultados
O ensaio clínico com nabiximols demonstrou redução estatisticamente significativa no DAS28 (de 5,9 para 5,0 pontos) e melhora na dor avaliada pelo SF-MPQ (de 3,3 para 2,6 pontos) (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). O estudo também reportou melhora significativa na dor em movimento, dor em repouso, qualidade do sono e atividade da doença (Blake et al., 2006).
Em estudos observacionais, foi identificado que 29,4% dos pacientes com AR relataram uso medicinal de cannabis, sendo que 98,1% utilizaram formulações tópicas (Galindo-Donaire et al., 2023). O traço de personalidade “abertura à experiência” foi independentemente associado ao uso medicinal de cannabis (aOR: 2,81, IC 95%: 1,11-7,10) (Galindo-Donaire et al., 2023).
Estudos in vitro demonstraram que o canabigerol (CBG) reduziu significativamente a produção de IL-6 e IL-8 por fibroblastos sinoviais de AR, com efeitos mediados parcialmente pelo receptor TRPA1 (Lowin et al., 2023). O receptor CB2 foi identificado em fibroblastos sinoviais de AR, e sua ativação com HU-308 inibiu a proliferação celular e a produção de MMP-3, MMP-13 e IL-6 de forma dose-dependente (Gui et al., 2014).
Implicações para a Prática
A evidência atual sugere que canabinoides podem proporcionar redução ligeira na atividade da doença, mas com pouca ou nenhuma diferença na redução da dor (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). Os eventos adversos do sistema nervoso foram mais frequentes com nabiximols (419 por 1000 versus 148 por 1000 com placebo), incluindo tontura, boca seca e sensação de cabeça leve (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).
O Colégio de Médicos de Família do Canadá recomenda contra o uso de canabinoides medicinais para dor devido a condições reumatológicas incluindo AR, enquanto a Associação Canadense de Reumatologia reconhece a falta de evidência mas encoraja discussão entre médicos e pacientes sobre benefícios e riscos (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).
Limitações
A base de evidência é extremamente limitada, baseando-se em apenas um ensaio clínico randomizado com 58 participantes e seguimento de apenas 5 semanas (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). Não foram encontrados estudos que examinaram incapacidade física ou qualidade de vida (Schulze-Schiappacasse et al., 2022). A evidência sobre eventos adversos graves é muito incerta, com certeza muito baixa segundo critérios GRADE (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).
Os resultados são aplicáveis apenas a pacientes com AR não controlada e podem não se aplicar a pacientes com comorbidades psiquiátricas, abuso de substâncias ou distúrbios cardiovasculares, renais ou hepáticos graves, pois estes foram excluídos do estudo (Schulze-Schiappacasse et al., 2022).
Referências Científicas
- [1] Schulze-Schiappacasse, Clara; Durán, Josefina; Bravo-Jeria, Rocío; Verdugo-Paiva, Francisca; Morel, Macarena; Rada, Gabriel (2022). Are Cannabis, Cannabis-Derived Products, and Synthetic Cannabinoids a Therapeutic Tool for Rheumatoid Arthritis? A Friendly Summary of the Body of Evidence.. Journal of clinical rheumatology : practical reports on rheumatic & musculoskeletal diseases. PMID: 33859125
- [2] Galindo-Donaire, José R; Hernández-Molina, Gabriela; Fresán Orellana, Ana; Contreras-Yáñez, Irazú; Guaracha-Basáñez, Guillermo; Briseño-González, Oswaldo; Pascual-Ramos, Virginia (2023). The role of personality traits on self-medicated cannabis in rheumatoid arthritis patients: A multivariable analysis.. PloS one. PMID: 36634127
- [3] Geng, Qishun; Wang, Zhaoran; Shi, Tong; Wen, Chaoying; Xu, Jiahe; Jiao, Yi; Diao, Wenya; Gu, Jienan; Wang, Zihan; Zhao, Lu; Deng, Tingting; Xiao, Cheng (2025). Cannabidiol regulates L-carnitine and butyric acid metabolism by modulating the gut microbiota to ameliorate collagen-induced arthritis.. Phytomedicine : international journal of phytotherapy and phytopharmacology. PMID: 39591767
- [4] Geng, Qishun; Xu, Jiahe; Cao, Xiaoxue; Wang, Zhaoran; Jiao, Yi; Diao, Wenya; Wang, Xing; Wang, Zihan; Zhang, Mengxiao; Zhao, Lu; Yang, Lei; Deng, Tingting; Fan, Bifa; Xu, Yuan; Jia, Lansi; Xiao, Cheng (2024). PPARG-mediated autophagy activation alleviates inflammation in rheumatoid arthritis.. Journal of autoimmunity. PMID: 38648706
- [5] Lowin, Torsten; Tigges-Perez, Marianne Sofia; Constant, Eva; Pongratz, Georg (2023). Anti-Inflammatory Effects of Cannabigerol in Rheumatoid Arthritis Synovial Fibroblasts and Peripheral Blood Mononuclear Cell Cultures Are Partly Mediated by TRPA1.. International journal of molecular sciences. PMID: 36614296
- [6] Blake, D R; Robson, P; Ho, M; Jubb, R W; McCabe, C S (2006). Preliminary assessment of the efficacy, tolerability and safety of a cannabis-based medicine (Sativex) in the treatment of pain caused by rheumatoid arthritis.. Rheumatology (Oxford, England). PMID: 16282192
- [7] Gui, Huan; Liu, Xia; Wang, Zhi-Wei; He, Dong-Yi; Su, Ding-Feng; Dai, Sheng-Ming (2014). Expression of cannabinoid receptor 2 and its inhibitory effects on synovial fibroblasts in rheumatoid arthritis.. Rheumatology (Oxford, England). PMID: 24440992
As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.
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