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Cannabis e Artrite Reumatóide: Segurança Clínica

6 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Eventos Adversos Reportados

Eventos Adversos do Sistema Nervoso

O principal ensaio clínico randomizado controlado com nabiximols (spray oromucosal contendo THC e CBD) em pacientes com artrite reumatoide demonstrou um aumento significativo no risco de eventos adversos do sistema nervoso. (Schulze-Schiappacasse et al., 2022) reportaram que 419 por 1000 pacientes tratados com nabiximols apresentaram eventos adversos neurológicos, comparado a 148 por 1000 no grupo placebo (RR 2,83; IC 95%: 1,05-7,65).

Os eventos adversos neurológicos mais frequentemente observados incluíram tontura, sensação de cabeça leve, sonolência e cefaleia. (Schulze-Schiappacasse et al., 2022)

Em uma análise sistemática anterior, (Richards et al., 2012) observaram que pacientes recebendo cannabis oromucosal apresentaram risco significativamente maior de eventos adversos (RR 1,82; IC 95%: 1,10 a 3,00), sendo os mais comuns tontura (26%), boca seca (13%) e sensação de cabeça leve (10%).

Eventos Adversos Graves

A evidência sobre eventos adversos graves permanece muito incerta. (Schulze-Schiappacasse et al., 2022) reportaram 13 por 1000 pacientes com eventos adversos graves no grupo nabiximols versus 74 por 1000 no grupo placebo (RR 0,17; IC 95%: 0,01-3,49), porém a certeza da evidência foi classificada como muito baixa.

Dados de Tolerabilidade

Tolerabilidade Geral

O estudo primário com nabiximols demonstrou que a grande maioria dos eventos adversos foram classificados como leves ou moderados. (Blake et al., 2006) observaram que não houve descontinuações relacionadas a eventos adversos ou eventos adversos graves no grupo de tratamento ativo.

A dose média diária alcançada na semana final de tratamento foi de 5,4 ativações para o grupo nabiximols (equivalente a 14,58 mg de THC e 13,5 mg de CBD) e 5,3 ativações para placebo, sugerindo boa tolerabilidade posológica. (Blake et al., 2006)

Dados Pré-clínicos de Segurança

Estudos in vitro com cannabigerol (CBG) em fibroblastos sinoviais de artrite reumatoide demonstraram redução da viabilidade celular dependente do conteúdo de soro fetal bovino no meio de cultura. (Lowin et al., 2023) Os autores observaram que CBG apresentou efeitos anti-inflamatórios robustos na produção de citocinas, viabilidade celular e produção de anticorpos.

Pesquisas com CBD em células B e células mononucleares do sangue periférico mostraram que o CBD aumentou o número de células B em apoptose precoce às custas de células viáveis. (Lowin et al., 2023) Os autores concluíram que CBD pode fornecer efeitos pró e anti-inflamatórios dependendo do estímulo ativador e concentração utilizada.

Uso Não-Prescrito e Padrões de Segurança

Um estudo observacional com pacientes mexicanos com artrite reumatoide revelou que 29,4% dos pacientes reportaram uso medicinal de cannabis não-prescrito. (Galindo-Donaire et al., 2023) Entre os usuários, 98,1% utilizaram formulações tópicas, sugerindo preferência por vias de administração com menor potencial de efeitos psicoativos.

Uma alta proporção de pacientes reportou pelo menos algum efeito benéfico, embora os autores enfatizem que o estudo focou no comportamento de busca por uso medicinal ao invés das propriedades terapêuticas estabelecidas das preparações. (Galindo-Donaire et al., 2023)

Limitações

A evidência de segurança clínica é baseada em apenas um ensaio clínico randomizado de curta duração (5 semanas), o que não é informativo para esta condição crônica. (Schulze-Schiappacasse et al., 2022) Os autores destacam que não é possível fazer um balanço adequado entre benefícios e riscos devido à incerteza sobre ambos.

O estudo excluiu pacientes com transtornos psiquiátricos, abuso de substâncias, distúrbios cardiovasculares, renais ou hepáticos graves, ou história de epilepsia, limitando a aplicabilidade dos resultados. (Schulze-Schiappacasse et al., 2022)

A extrapolação dos resultados para outras doses, compostos, formas terapêuticas e vias de administração pode ser prematura, considerando que apenas nabiximols foi avaliado no contexto clínico. (Schulze-Schiappacasse et al., 2022)

Referências Científicas

  1. [1] Schulze-Schiappacasse, Clara; Durán, Josefina; Bravo-Jeria, Rocío; Verdugo-Paiva, Francisca; Morel, Macarena; Rada, Gabriel (2022). Are Cannabis, Cannabis-Derived Products, and Synthetic Cannabinoids a Therapeutic Tool for Rheumatoid Arthritis? A Friendly Summary of the Body of Evidence.. Journal of clinical rheumatology : practical reports on rheumatic & musculoskeletal diseases. PMID: 33859125
  2. [2] Richards, Bethan L; Whittle, Samuel L; Buchbinder, Rachelle (2012). Neuromodulators for pain management in rheumatoid arthritis.. The Cochrane database of systematic reviews. PMID: 22258992
  3. [3] Galindo-Donaire, José R; Hernández-Molina, Gabriela; Fresán Orellana, Ana; Contreras-Yáñez, Irazú; Guaracha-Basáñez, Guillermo; Briseño-González, Oswaldo; Pascual-Ramos, Virginia (2023). The role of personality traits on self-medicated cannabis in rheumatoid arthritis patients: A multivariable analysis.. PloS one. PMID: 36634127
  4. [4] Blake, D R; Robson, P; Ho, M; Jubb, R W; McCabe, C S (2006). Preliminary assessment of the efficacy, tolerability and safety of a cannabis-based medicine (Sativex) in the treatment of pain caused by rheumatoid arthritis.. Rheumatology (Oxford, England). PMID: 16282192
  5. [5] Lowin, Torsten; Tigges-Perez, Marianne Sofia; Constant, Eva; Pongratz, Georg (2023). Anti-Inflammatory Effects of Cannabigerol in Rheumatoid Arthritis Synovial Fibroblasts and Peripheral Blood Mononuclear Cell Cultures Are Partly Mediated by TRPA1.. International journal of molecular sciences. PMID: 36614296
  6. [6] Lowin, Torsten; Laaser, Sofia Anna; Kok, Christina; Bruneau, Eileen; Pongratz, Georg (2023). Cannabidiol: Influence on B Cells, Peripheral Blood Mononuclear Cells, and Peripheral Blood Mononuclear Cell/Rheumatoid Arthritis Synovial Fibroblast Cocultures.. Cannabis and cannabinoid research. PMID: 35920857

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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