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Cannabis e Cuidados Paliativos e Oncologia: Dosagem e Protocolo

4 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

População Estudada

A literatura disponível sobre canabinoides em cuidados paliativos concentra-se predominantemente em duas populações específicas. Em pediatria, uma revisão sistemática abrangente identificou 276 estudos envolvendo 7.767 participantes em estudos intervencionais, com idades variando desde nascimentos prematuros até adolescentes tardios (19-21 anos) (Chhabra et al., 2025).

Em oncologia, os estudos focaram principalmente em pacientes adultos com câncer avançado. Um ensaio clínico randomizado avaliou 144 pacientes com idade mediana de 65 anos, sendo 79% do sexo feminino, com cânceres ginecológicos, mama e pulmão sendo os mais prevalentes (Hardy et al., 2025). Outro estudo incluiu 147 participantes com idade mediana de 56 anos, sendo 78% mulheres, tratando náusea e vômito refratários induzidos por quimioterapia (Grimison et al., 2024).

Dados de Dosagem dos Estudos

Os dados de dosagem variam significativamente entre as populações estudadas. Em pediatria, o CBD purificado foi administrado em doses de 2-50 mg/kg/dia, enquanto o THC foi utilizado em doses de 2,5-10 mg/dia ou 18 mg/m² baseado na superfície corporal (Chhabra et al., 2025). Para canabinoides sintéticos, o dronabinol foi administrado em doses de 2,2-9,1 mg/dia em estudos intervencionais e 0,7-25 mg/dia em estudos observacionais (Chhabra et al., 2025).

Em adultos com câncer, um estudo utilizou formulação THC:CBD (1:1) iniciando com 2,5 mg de cada componente, três vezes ao dia, com titulação até dose máxima tolerada (Grimison et al., 2024). A dose mediana mais frequentemente titulada foi de 5 mg de THC com 5 mg de CBD três vezes ao dia (Grimison et al., 2024). Outro ensaio utilizou formulação 1:1 de 10 mg/ml THC:CBD, com dose mediana selecionada pelos participantes de 15 mg/dia de cada componente (Hardy et al., 2025).

Vias de Administração

A via oral foi predominante nos estudos controlados. Em pediatria, 85,7% dos estudos intervencionais utilizaram administração oral, seguida por via inalatória/fumada (1,2%) e sublingual (2,4%) (Chhabra et al., 2025). As formulações mais frequentemente utilizadas foram soluções/óleos orais (73,9% dos estudos intervencionais), seguidas por cápsulas (14,3%) (Chhabra et al., 2025).

Nos estudos em adultos com câncer, foi utilizada exclusivamente a via oral através de cápsulas contendo THC:CBD (Grimison et al., 2024) ou óleo para titulação de dose (Hardy et al., 2025).

Limitações

Os estudos apresentam limitações metodológicas significativas que impactam a aplicabilidade clínica. Uma meta-análise abrangente classificou a certeza da evidência como muito baixa a baixa para todos os desfechos, principalmente devido à heterogeneidade populacional e falta de uniformidade na administração das intervenções (Creangă-Murariu et al., 2025).

Em pediatria, os autores identificaram lacunas importantes no conhecimento sobre eventos adversos de longo prazo, interações medicamentosas, eficácia e tolerabilidade de canabinoides em crianças com complexidades médicas (Chhabra et al., 2025). A duração limitada dos estudos representa uma barreira significativa para compreender os impactos potenciais no cérebro em desenvolvimento (Chhabra et al., 2025).

Nos estudos oncológicos, as altas taxas de abandono (22,2% no grupo cannabis medicinal versus 9,7% no placebo até o dia 14) e dados faltantes são consequências inevitáveis de estudos em populações com prognóstico reservado (Hardy et al., 2025). Adicionalmente, a maioria dos estudos originou-se da América do Norte e Europa, com representação limitada de países em desenvolvimento (Chhabra et al., 2025).

Referências Científicas

  1. [1] Chhabra, Manik; Paul, Arun; Abulannaz, Omaymah; Lê, Mê-Linh; Mansell, Holly; Finkelstein, Yaron; Huntsman, Richard J; Kelly, Lauren E (2025). Cannabinoids for Medical Purposes in Children: A Living Systematic Review.. Acta paediatrica (Oslo, Norway : 1992). PMID: 40437694
  2. [2] Grimison, Peter; Mersiades, Antony; Kirby, Adrienne; Tognela, Annette; Olver, Ian; Morton, Rachael L; Haber, Paul; Walsh, Anna; Lee, Yvonne; Abdi, Ehtesham; Della-Fiorentina, Stephen; Aghmesheh, Morteza; Fox, Peter; Briscoe, Karen; Sanmugarajah, Jasotha; Marx, Gavin; Kichenadasse, Ganessan; Wheeler, Helen; Chan, Matthew; Shannon, Jenny; Gedye, Craig; Begbie, Stephen; Simes, R John; Stockler, Martin R (2024). Oral Cannabis Extract for Secondary Prevention of Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting: Final Results of a Randomized, Placebo-Controlled, Phase II/III Trial.. Journal of clinical oncology : official journal of the American Society of Clinical Oncology. PMID: 39151115
  3. [3] Hardy, Janet R; Greer, Ristan M; Pelecanos, Anita M; Huggett, Georgie E; Kearney, Alison M; Gurgenci, Taylan H; Good, Phillip D (2025). Medicinal cannabis for symptom control in advanced cancer: a double-blind, placebo-controlled, randomised clinical trial of 1:1 tetrahydrocannabinol and cannabidiol.. Supportive care in cancer : official journal of the Multinational Association of Supportive Care in Cancer. PMID: 40705150
  4. [4] Creangă-Murariu, Ioana; Rezuș, Ioana-Irina; Karami, Roshanak; Rancz, Anett; Zolcsák, Ádám; Engh, Marie Anne; Obeidat, Mahmoud; Tamba, Bogdan-Ionel; Hegyi, Péter; Bunduc, Stefania (2025). Indications of Cannabinoids for the Palliation of Cancer-Associated Symptoms: A Systematic Review and Meta-Analysis.. Current oncology reports. PMID: 40748522

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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