| Biblioteca de evidências em cannabis

Cannabis e Cuidados Paliativos e Oncologia: Segurança Clínica

4 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Eventos Adversos Reportados

Os eventos adversos mais comumente reportados em estudos com canabinoides incluem manifestações gastrointestinais, neurológicas e psiquiátricas. Em uma revisão sistemática abrangente de estudos pediátricos, os eventos adversos mais frequentes (>20% dos estudos) foram sonolência, diarreia, vômitos e diminuição do apetite (Chhabra et al., 2025). Outros eventos comumente reportados por 10-20% dos estudos incluíram pirexia, fadiga, elevação de transaminases, tontura, náusea, pneumonia, sedação, irritabilidade e status epilepticus (Chhabra et al., 2025).

Em estudos oncológicos, uma meta-análise demonstrou que o uso de canabinoides quase dobrou o risco de efeitos adversos gastrointestinais (OR: 1,88, IC 95%: 1,14-3,11), incluindo diarreia, constipação, dor abdominal, náusea, vômitos, boca seca ou estomatite (Creangă-Murariu et al., 2025). Os efeitos adversos neurológicos, incluindo confusão, dificuldade de concentração, problemas de coordenação e tontura, foram duas vezes mais comuns no grupo canabinoide (OR: 2,06, IC 95%: 1,15-3,68) (Creangă-Murariu et al., 2025).

Dados de Tolerabilidade

A tolerabilidade dos canabinoides varia significativamente conforme a composição THC/CBD do produto utilizado. Em um estudo controlado com extrato oral de cannabis (THC:CBD), eventos adversos de interesse especial de qualquer gravidade foram mais frequentes no grupo THC:CBD comparado ao placebo (74% vs 38%), com eventos moderados a graves ocorrendo em 25% vs 8% dos pacientes, respectivamente (Grimison et al., 2024). Os efeitos adversos moderados a graves mais frequentemente reportados foram sedação (18% vs 7%) e tontura (10% vs 0%) (Grimison et al., 2024).

Em outro estudo randomizado controlado com combinação 1:1 THC:CBD em pacientes com câncer avançado, significativamente mais participantes no grupo cannabis medicinal reportaram confusão, sensação de “high” e senso exagerado de bem-estar comparado ao placebo (Hardy et al., 2025). A taxa de abandono foi maior no grupo cannabis medicinal, com 16/72 (22,2%) participantes saindo antes do dia 14 comparado a 7/72 (9,7%) no grupo placebo (p = 0,007) (Hardy et al., 2025).

Perfil de Segurança por Composição

Os dados sugerem que produtos predominantemente THC apresentam maior risco de eventos adversos psiquiátricos. Uma meta-análise demonstrou que efeitos adversos psiquiátricos (alucinações, delírios, paranoia, psicose, pesadelos, ansiedade e mudanças de humor) foram três vezes mais prevalentes no grupo intervenção (OR: 3,24, IC 95%: 1,48-7,1), sendo até dez vezes maiores para produtos predominantemente THC (OR: 10,62, IC 95%: 1,35-83,57) (Creangă-Murariu et al., 2025).

As chances de descontinuação do tratamento devido a efeitos adversos foram 1,53 (IC 95%: 0,99-2,35) para todos os tipos de canabinoides, com valores duas vezes maiores para produtos predominantemente THC (OR: 3,01, IC 95%: 0,32-27,89) (Creangă-Murariu et al., 2025).

Limitações

Os estudos intervencionais reportaram consistentemente mais eventos adversos relacionados aos canabinoides do que estudos observacionais, sugerindo possível subnotificação de eventos na literatura observacional (Chhabra et al., 2025). Estudos observacionais frequentemente carecem de informações sobre canabinoides específicos utilizados, forma de dosagem, frequência e via de administração (Chhabra et al., 2025).

A duração limitada dos estudos representa uma barreira significativa para compreender os impactos potenciais no desenvolvimento cerebral em populações pediátricas, com seguimento máximo de até 1 ano em estudos de braço único de CBD purificado e até 2 anos em estudos observacionais (Chhabra et al., 2025).

Referências Científicas

  1. [1] Chhabra, Manik; Paul, Arun; Abulannaz, Omaymah; Lê, Mê-Linh; Mansell, Holly; Finkelstein, Yaron; Huntsman, Richard J; Kelly, Lauren E (2025). Cannabinoids for Medical Purposes in Children: A Living Systematic Review.. Acta paediatrica (Oslo, Norway : 1992). PMID: 40437694
  2. [2] Grimison, Peter; Mersiades, Antony; Kirby, Adrienne; Tognela, Annette; Olver, Ian; Morton, Rachael L; Haber, Paul; Walsh, Anna; Lee, Yvonne; Abdi, Ehtesham; Della-Fiorentina, Stephen; Aghmesheh, Morteza; Fox, Peter; Briscoe, Karen; Sanmugarajah, Jasotha; Marx, Gavin; Kichenadasse, Ganessan; Wheeler, Helen; Chan, Matthew; Shannon, Jenny; Gedye, Craig; Begbie, Stephen; Simes, R John; Stockler, Martin R (2024). Oral Cannabis Extract for Secondary Prevention of Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting: Final Results of a Randomized, Placebo-Controlled, Phase II/III Trial.. Journal of clinical oncology : official journal of the American Society of Clinical Oncology. PMID: 39151115
  3. [3] Creangă-Murariu, Ioana; Rezuș, Ioana-Irina; Karami, Roshanak; Rancz, Anett; Zolcsák, Ádám; Engh, Marie Anne; Obeidat, Mahmoud; Tamba, Bogdan-Ionel; Hegyi, Péter; Bunduc, Stefania (2025). Indications of Cannabinoids for the Palliation of Cancer-Associated Symptoms: A Systematic Review and Meta-Analysis.. Current oncology reports. PMID: 40748522
  4. [4] Hardy, Janet R; Greer, Ristan M; Pelecanos, Anita M; Huggett, Georgie E; Kearney, Alison M; Gurgenci, Taylan H; Good, Phillip D (2025). Medicinal cannabis for symptom control in advanced cancer: a double-blind, placebo-controlled, randomised clinical trial of 1:1 tetrahydrocannabinol and cannabidiol.. Supportive care in cancer : official journal of the Multinational Association of Supportive Care in Cancer. PMID: 40705150

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

Pergunte ao Carl

IA do Linio · respostas com base em evidências