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Cannabis e Endometriose: Casos Clínicos

3 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Protocolo Utilizado

Um estudo clínico randomizado controlado foi conduzido na Austrália comparando três intervenções: cannabis medicinal inalada via vaporização contendo 16% de delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) combinada com óleo oral contendo 100mg de canabidiol (CBD) por mL, versus óleo de CBD isolado, versus placebo (Chesterman et al., 2025). O estudo planejava recrutar 63 participantes (21 por grupo) para avaliar viabilidade, aceitabilidade e segurança das intervenções.

Em estudos observacionais, foram documentados diferentes protocolos de administração utilizados por pacientes. A via inalatória foi a mais comum, representando 67,4% de todas as formas de dosagem, incluindo vaporizador (40,6%) e fumado (25,9%) (Sinclair et al., 2021). As formas orais representaram 32,3% do uso, incluindo óleos (25,0%), comprimidos (3,5%) e produtos comestíveis (2,4%).

Resultados Observados

O estudo clínico controlado enfrentou dificuldades significativas, conseguindo randomizar apenas 12 participantes dos 63 planejados (Chesterman et al., 2025). Sete participantes abandonaram o estudo, apenas quatro completaram e um foi perdido no seguimento. Foram reportados 10 eventos adversos (dois não relacionados à cannabis e oito possivelmente relacionados) e dois eventos adversos graves (ambos não relacionados à intervenção).

Em dados observacionais do Canadá com 252 participantes e 16.187 sessões de uso, a dor pélvica foi a indicação clínica primária em 42,4% dos casos (Sinclair et al., 2021). O distresse gastrointestinal (15,2%) e cólicas (14,9%) foram as próximas indicações mais frequentes. A cannabis demonstrou eficácia com uma classificação média de eficácia basal de 31,98 (IC 95% 31,26 a 32,71).

Os sintomas gastrointestinais apresentaram o maior efeito, com aumento estimado na eficácia de 9,02 (IC 95% 8,15 a 9,90) comparado à dor (Sinclair et al., 2021). A administração tópica mostrou o efeito mais forte entre os métodos de ingestão, com aumento estimado na eficácia de 13,64 (IC 95% 6,11 a 21,17) comparado à inalação, embora com poucos participantes utilizando esta via.

Em survey alemão com 114 usuárias de cannabis entre 912 participantes, a maior melhora nos sintomas foi observada no sono (91%), dor menstrual (90%) e dor pélvica não-cíclica (80%) (Jasinski et al., 2024). A intensidade da dor com uso de cannabis foi classificada em média como 4,2 (± 2,7), com eficácia na redução da dor relacionada à endometriose classificada em 7,6 de 10 (± 2,6). Aproximadamente 90% das participantes conseguiram reduzir a quantidade de medicação para dor necessária, com quase metade alcançando redução superior a 50%.

Considerações

O estudo clínico controlado falhou principalmente devido à exigência de abstinência de dirigir e alto nível de abandono dos participantes (Chesterman et al., 2025). Os autores concluíram que a aceitabilidade e viabilidade de recrutamento e retenção foram consideradas baixas.

A dosagem variou conforme o método de ingestão, com dose mediana mais alta para inalação (9 mg/mL ou puff, IQR: 5, 11) e mais baixa para formas orais (1 mg/mL, IQR 0,5 a 2) (Sinclair et al., 2021). Os métodos inalados tipicamente apresentaram alta razão THC:CBD, com THC mediano de 16% (IQR 8 a 19,6) e CBD mediano de 0,07% (IQR 0 a 8,01). As formas ingeridas exibiram tendência oposta, com alta razão CBD:THC.

O efeito colateral mais comum reportado foi aumento da fadiga (17%), seguido por aumento de náusea e vômito (5%) (Jasinski et al., 2024). A idade teve efeito estatisticamente significativo, com aumento na eficácia de 0,26 (IC 95% 0,20 a 0,31) para cada ano de aumento na idade, sugerindo que mulheres mais velhas tiveram melhor eficácia geral (Sinclair et al., 2021).

Referências Científicas

  1. [1] Chesterman, Susan; Mikocka-Walus, Antonina; Sinclair, Justin; Druitt, Marilla; Furyk, Jeremy; Evans, Subhadra; Abbott, Jason; Eathorne, Alexandra; Martin, Alexander; Ng, Cecilia; Nguyen, Lisa; Oldfield, Karen; Romano, Daniel; Sarris, Jerome; Semprini, Alex; Stanley, Katherine; Armour, Mike (2025). Challenges in conducting a feasibility randomized controlled trial of medicinal cannabis for endometriosis pain in Australia.. Complementary therapies in clinical practice. PMID: 41005282
  2. [2] Jasinski, Victoria; Voltolini Velho, Renata; Sehouli, Jalid; Mechsner, Sylvia (2024). Cannabis use in endometriosis: the patients have their say-an online survey for German-speaking countries.. Archives of gynecology and obstetrics. PMID: 39162801
  3. [3] Sinclair, Justin; Collett, Laura; Abbott, Jason; Pate, David W; Sarris, Jerome; Armour, Mike (2021). Effects of cannabis ingestion on endometriosis-associated pelvic pain and related symptoms.. PloS one. PMID: 34699540

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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