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Cannabis e Endometriose: Segurança Clínica

3 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Eventos Adversos Reportados

Os dados sobre eventos adversos da cannabis medicinal em endometriose provêm principalmente de estudos observacionais e surveys com pacientes. Em um estudo de viabilidade de ensaio clínico randomizado conduzido na Austrália, foram reportados 10 eventos adversos totais, sendo dois não relacionados à cannabis e oito possivelmente relacionados ao uso de cannabis (Chesterman et al., 2025). Adicionalmente, dois eventos adversos sérios foram reportados, ambos considerados não relacionados à intervenção (Chesterman et al., 2025).

Em um survey com 114 usuárias de cannabis em países de língua alemã, o efeito colateral mais comum foi fadiga aumentada, reportada por 17% das participantes (Jasinski et al., 2024). Náusea e vômito aumentados foram reportados por 5% das usuárias (Jasinski et al., 2024). Os autores observaram que, além da fadiga, outros efeitos colaterais frequentemente ocorriam em combinação (Jasinski et al., 2024).

Um pequeno número de usuárias (>5%) reportou piora de sintomas psicológicos, incluindo ansiedade e humor deprimido (Jasinski et al., 2024). Os dados sugerem que as experiências relacionadas aos efeitos psicológicos da cannabis variam amplamente entre as usuárias (Jasinski et al., 2024).

Dados de Tolerabilidade

Os dados de tolerabilidade indicam que a maioria das usuárias considera o perfil de efeitos colaterais da cannabis mais favorável comparado a medicações farmacêuticas convencionais. Em um survey internacional com 880 participantes, 78,2% reportaram que os efeitos colaterais da cannabis eram menos severos que suas medicações farmacêuticas atuais ou anteriores (Sinclair et al., 2025).

Apenas 15,9% das participantes expressaram preocupação sobre dependência da cannabis, contrastando com 43,9% que estavam preocupadas sobre dependência ou vício com suas medicações farmacêuticas atuais ou anteriores (Sinclair et al., 2025). Algumas usuárias reportaram que a fadiga causada pela cannabis era percebida como benéfica, levando a menos problemas de sono à noite (Jasinski et al., 2024).

Entretanto, para outras usuárias, a fadiga representou uma desvantagem significativa, limitando principalmente o uso matinal (Jasinski et al., 2024).

Limitações dos Dados de Segurança

Os dados de segurança apresentam limitações importantes que devem ser consideradas na avaliação clínica. A aceitabilidade e viabilidade de recrutamento e retenção no estudo de viabilidade australiano foram consideradas baixas, com apenas 12 participantes randomizados e sete retiradas do estudo (Chesterman et al., 2025). A falha do estudo foi amplamente atribuída à exigência de abstinência de dirigir e alto nível de retirada de participantes (Chesterman et al., 2025).

Uma preocupação significativa identificada é o uso não supervisionado de cannabis, com mais da metade das usuárias de cannabis não-legal para fins terapêuticos não divulgando essa informação aos profissionais médicos (Sinclair et al., 2025). Isso levanta questões sobre possíveis interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas clinicamente importantes entre cannabis e medicações farmacêuticas (Sinclair et al., 2025).

Os autores destacam preocupações sobre reduções iniciadas pelas pacientes em medicações como opioides e benzodiazepínicos sendo realizadas sem supervisão médica, o que é potencialmente perigoso, especialmente no caso dos benzodiazepínicos devido a retiradas potencialmente fatais (Sinclair et al., 2025). Adicionalmente, pacientes submetidas a cirurgia que não divulgam o uso de cannabis à equipe médica correm risco de interações possivelmente perigosas com anestesia (Sinclair et al., 2025).

Referências Científicas

  1. [1] Chesterman, Susan; Mikocka-Walus, Antonina; Sinclair, Justin; Druitt, Marilla; Furyk, Jeremy; Evans, Subhadra; Abbott, Jason; Eathorne, Alexandra; Martin, Alexander; Ng, Cecilia; Nguyen, Lisa; Oldfield, Karen; Romano, Daniel; Sarris, Jerome; Semprini, Alex; Stanley, Katherine; Armour, Mike (2025). Challenges in conducting a feasibility randomized controlled trial of medicinal cannabis for endometriosis pain in Australia.. Complementary therapies in clinical practice. PMID: 41005282
  2. [2] Sinclair, Justin; Eathorne, Allie; Adler, Hannah; Mardon, Amelia; Holtzman, Orit; Abbott, Jason; Sarris, Jerome; Armour, Mike (2025). 'In the weeds': navigating the complex concerns, challenges and choices associated with medicinal cannabis consumption for endometriosis.. Reproduction & fertility. PMID: 40445778
  3. [3] Jasinski, Victoria; Voltolini Velho, Renata; Sehouli, Jalid; Mechsner, Sylvia (2024). Cannabis use in endometriosis: the patients have their say-an online survey for German-speaking countries.. Archives of gynecology and obstetrics. PMID: 39162801

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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