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Cannabis e Epilepsia Refratária: Segurança Clínica

3 artigos citados Atualizado em: 13/02/2026

Eventos Adversos Reportados

Os estudos de extensão aberta de longo prazo demonstram que a maioria dos pacientes com epilepsia refratária apresenta eventos adversos emergentes do tratamento com canabidiol. Silvinato et al. (2022) reportaram que 95,8% de todos os pacientes tiveram pelo menos um evento adverso emergente do tratamento durante o seguimento.

Os eventos adversos mais comumente reportados incluem pirexia, diarreia, vômitos, redução do apetite e sonolência. Silvinato et al. (2022) observaram que estes eventos adversos, incluindo as frequências e gravidade observadas, são comparáveis com observações anteriores de ensaios pivotais.

Em estudos controlados randomizados, Silvinato et al. (2022) demonstraram que o canabidiol aumenta o risco de eventos adversos totais em 12%, sendo necessário tratar oito pacientes para obter dano (NNH=8), com qualidade de evidência muito baixa.

Dados de Tolerabilidade

A análise de eventos adversos graves revela um perfil de segurança que requer monitoramento cuidadoso. Silvinato et al. (2022) reportaram que a taxa de eventos adversos graves pode chegar a 36% dos pacientes tratados.

Em ensaios clínicos randomizados, Silvinato et al. (2022) observaram que o canabidiol aumenta eventos adversos graves em 16% comparado ao placebo, com NNH=6 e qualidade de evidência moderada.

A elevação de transaminases hepáticas representa uma preocupação significativa de segurança. Silvinato et al. (2022) reportaram que transaminases ≥3 vezes o valor de referência podem ocorrer em 16% dos pacientes, sendo que mais de 70% destes casos tinham uso concomitante de ácido valproico.

Descontinuação do Tratamento

A taxa de descontinuação permanente do tratamento fornece insights importantes sobre a tolerabilidade a longo prazo. Silvinato et al. (2022) reportaram que 9,4% dos pacientes descontinuaram permanentemente o tratamento com canabidiol.

As razões mais comuns para descontinuação incluem crises epilépticas e aumento das enzimas hepáticas. Silvinato et al. (2022) observaram que ambos são eventos conhecidos que causam a descontinuação do tratamento com canabidiol.

Em ensaios clínicos controlados, Silvinato et al. (2022) demonstraram que o canabidiol aumenta o risco de abandono do tratamento em 12% comparado ao placebo, com NNH=8 e alta qualidade de evidência.

Comparação com Outros Anticonvulsivantes

Em análise comparativa de novos medicamentos anticonvulsivantes, Tong et al. (2024) observaram que o canabidiol demonstrou boa eficácia na síndrome de Lennox-Gastaut (SUCRA 88,4) e síndrome de Dravet (SUCRA 66,2), mas o efeito na epilepsia focal em adultos não foi superior ao placebo.

O perfil de segurança do canabidiol deve ser considerado no contexto de outros anticonvulsivantes disponíveis. Martimbianco et al. (2025) reportaram que a incidência de eventos adversos graves provavelmente aumenta com canabidiol 20 mg/kg/dia (RR 2,30; IC 95% 1,36-3,89) e pode aumentar com canabidiol 10 mg/kg/dia (RR 1,62; IC 95% 0,92-2,84).

Limitações

Os dados de segurança apresentam limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação clínica. Silvinato et al. (2022) observaram que os resultados dos estudos observacionais de coorte têm qualidade de evidência muito baixa.

Martimbianco et al. (2025) concluíram que para a maioria das comparações e desfechos incluídos, existem incertezas sobre os efeitos dos canabinoides, indicando que futuros ensaios clínicos randomizados poderiam contribuir para melhor compreensão dos efeitos dos canabinoides na epilepsia refratária.

Referências Científicas

  1. [1] Tong, Jingyi; Ji, Tingting; Liu, Ting; Liu, Jiaqi; Chen, Yibin; Li, Zongjun; Lu, Na; Li, Qifu (2024). Efficacy and safety of six new antiseizure medications for adjunctive treatment of focal epilepsy and epileptic syndrome: A systematic review and network meta-analysis.. Epilepsy & behavior : E&B. PMID: 38277848
  2. [2] Martimbianco, Ana Luiza Cabrera; Silva, Roberta Borges; Cruz Latorraca, Carolina de Oliveira; de Toledo, Isabela Porto; Pacheco, Rafael Leite; Colpani, Verônica; Riera, Rachel (2025). Cannabis derivatives and their synthetic analogs for treatment-resistant epilepsy: A systematic review and meta-analysis.. Epilepsy research. PMID: 40267856
  3. [3] Silvinato, Antônio; Floriano, Idevaldo; Bernardo, Wanderley Marques (2022). Use of cannabidiol in the treatment of epilepsy: Lennox-Gastaut syndrome, Dravet syndrome, and tuberous sclerosis complex.. Revista da Associacao Medica Brasileira (1992). PMID: 36417631

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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