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Cannabis e Espasticidade (Esclerose Múltipla): Casos Clínicos

4 artigos citados Atualizado em: 13/02/2026

Pacientes Descritos

O registro italiano analisado por Patti et al. incluiu 1.138 pacientes que iniciaram tratamento com nabiximols, com idade média de 51,5 anos e 54,6% sendo mulheres (Patti et al., 2022). A maioria (66,9%) apresentava EM secundariamente progressiva, com duração média da doença de 19,8 ± 10,5 anos (Patti et al., 2022). O escore médio do EDSS foi de 6,5 ± 1,16, refletindo incapacidade significativa (Patti et al., 2022).

Protocolo Utilizado

Os protocolos de tratamento com nabiximols seguiram padrões similares entre os estudos observacionais. No estudo alemão, a dose média de nabiximols foi de 5,3 ± 3,2 borrifadas/dia na semana 4 e 5,9 ± 3,4 borrifadas/dia na semana 12 (Haupts et al., 2024). O tratamento foi descontinuado precocemente em 6 pacientes (11,8%), sendo as principais razões a falta de aceitação, ineficácia e intolerabilidade (Haupts et al., 2024).

No estudo austríaco, a dose média de nabiximols foi de 7,3 ± 3,7 borrifadas/dia no primeiro mês e 7,2 ± 3,3 borrifadas/dia aos 3 meses (Guger et al., 2023). Dos 55 pacientes na análise de eficácia, 13 (23,6%) descontinuaram o tratamento antes dos 3 meses de observação, principalmente durante a fase de titulação devido à tolerabilidade insuficiente, eficácia insuficiente ou outras razões (Guger et al., 2023).

No registro italiano, a dose média de nabiximols foi de 6,6 borrifadas/dia na semana 4 e diminuiu gradualmente para 5,9 borrifadas/dia aos 18 meses nos pacientes que continuaram o tratamento (Patti et al., 2022). Durante o período de avaliação de 18 meses, 633 pacientes (55,6% da amostra inicial) descontinuaram nabiximols, principalmente devido à ineficácia (63,6%) ou eventos adversos (30,4%) (Patti et al., 2022).

Resultados Observados

Os resultados demonstraram eficácia consistente do nabiximols no tratamento da espasticidade. No estudo alemão, 49 dos 54 pacientes incluídos (90,7%) apresentaram melhora clinicamente significativa na espasticidade após 4 semanas de terapia com nabiximols (≥20% de melhora na escala numérica de classificação - NRS) (Haupts et al., 2024). O escore médio geral da Escala de Alcance de Objetivos (GAS) aumentou significativamente do baseline para a semana 12 (35,2 vs 51,4; p < 0,001), representando um aumento de 46% (Haupts et al., 2024).

As avaliações reportadas pelos pacientes mostraram reduções substanciais nos escores de espasticidade. Os escores de espasticidade 0-10 NRS reduziram de 5,2 ± 1,9 no baseline para 3,0 ± 2,2 na semana 4 e 2,6 ± 1,9 na semana 12, representando reduções médias do baseline de 45,5% e 52,7%, respectivamente (Haupts et al., 2024). A dor relacionada à espasticidade melhorou com escores de dor 0-10 NRS reduzindo de 4,9 ± 2,3 no baseline para 2,3 ± 1,5 na semana 12, equivalente a uma redução de 53,1% (Haupts et al., 2024).

O registro italiano demonstrou que aproximadamente três quartos (76,8%) dos pacientes foram respondedores iniciais (≥20% de melhora NRS) ao nabiximols na semana 4 (Patti et al., 2022). O escore baseline médio 0-10 NRS foi reduzido em 24,6% na semana 4, e nos pacientes que continuaram o tratamento, o escore baseline médio 0-10 NRS foi reduzido em 31,6% aos 3 meses e 33,8% aos 6 meses (Patti et al., 2022).

Um estudo piloto quantitativo cinemático mostrou que o tratamento com nabiximols por 4 semanas resultou em melhora na função do membro superior. O escore médio NRS de espasticidade foi de 6,3 (1,3) no baseline e foi estatisticamente reduzido para 4,1 (1,3) após 4 semanas de tratamento (p < 0,001) (Pau et al., 2023). Todos os participantes foram considerados respondedores ao nabiximols de acordo com os critérios de ≥20% de redução no escore de espasticidade 0-10 NRS (Pau et al., 2023).

Considerações

Os dados sugerem que os benefícios reportados pelos pacientes com o tratamento com nabiximols excedem as medidas convencionais. A melhora clinicamente significativa de 46% no escore médio geral GAS observada durante 12 semanas de terapia com nabiximols é altamente relevante para a prática diária (Haupts et al., 2024). Os achados indicam que os benefícios do nabiximols se estendem além de um aprimoramento inespecífico na qualidade de vida, oferecendo uma solução terapêutica para problemas individuais do amplo espectro de sintomas associados à espasticidade na EM (Haupts et al., 2024).

Referências Científicas

  1. [1] Haupts, Michael R; Essner, Ute; M&#xe4;urer, Mathias (2024). Patient-reported benefits from nabiximols treatment in multiple sclerosis-related spasticity exceed conventional measures.. Neurodegenerative disease management. PMID: 38318862
  2. [2] Guger, Michael; Hatschenberger, Robert; Leutmezer, Fritz (2023). Non-interventional, prospective, observational study on spasticity-associated symptom control with nabiximols as add-on therapy in patients with multiple sclerosis spasticity in Austria.. Brain and behavior. PMID: 36934456
  3. [3] Patti, Francesco; Chisari, Clara Grazia; Fern&#xe1;ndez, &#xd3;scar; Sarroca, Jorge; Ferrer-Pic&#xf3;n, Elena; Hern&#xe1;ndez Vicente, Francisco; Vila Silv&#xe1;n, Carlos (2022). A real-world evidence study of nabiximols in multiple sclerosis patients with resistant spasticity: Analysis in relation to the newly described 'spasticity-plus syndrome'.. European journal of neurology. PMID: 35590453
  4. [4] Pau, Massimiliano; Porta, Micaela; Spinicci, Gabriella; Frau, Jessica; Lorefice, Lorena; Coghe, Giancarlo; Cocco, Eleonora (2023). Change in upper limb function in people with multiple sclerosis treated with nabiximols: a quantitative kinematic pilot study.. Neurological sciences : official journal of the Italian Neurological Society and of the Italian Society of Clinical Neurophysiology. PMID: 36260259

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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