Dados de Dosagem dos Estudos
As dosagens de cannabis medicinal utilizadas nos estudos de fibromialgia apresentam grande variabilidade. No registro britânico de cannabis medicinal, foi observada uma dose mediana de THC de 100,00 mg/dia (20,00-195,00) e CBD de 20,00 mg/dia (20,00-35,00) (Wang et al., 2023).
Em um estudo controlado com óleo rico em THC, os participantes iniciaram com uma gota por dia (~1,2 mg de THC e 0,02 mg de CBD), com dose média final de 3,6 gotas (~4,4 mg de THC e 0,08 mg de CBD) (Chaves et al., 2020).
Um estudo alemão utilizou THC como adjuvante à terapia multimodal interdisciplinar, sem especificar doses exatas (Bettstetter et al., 2024).
Vias de Administração
Os estudos demonstram diferentes preferências de administração. No registro britânico, preparações orais/sublinguais foram prescritas para 40,69% dos pacientes, preparações de planta seca vaporizada para 12,07%, e uma combinação de ambas para 47,24% (Wang et al., 2023).
Em relação aos produtos de CBD, tinturas e tópicos foram as vias mais comumente utilizadas, com participantes que usaram cannabis com alto THC no ano anterior utilizando inalação com maior frequência (39,8% vs 7,1%) comparado àqueles sem uso prévio (Boehnke et al., 2022).
Participantes que utilizaram tanto vias inalatórias quanto não-inalatórias reportaram maior alívio sintomático comparado àqueles que usaram apenas vias não-inalatórias (Boehnke et al., 2022).
População Estudada
Os estudos incluíram predominantemente mulheres, refletindo a epidemiologia da fibromialgia. No registro britânico, 70,26% eram mulheres com idade média de 44,74 anos (Wang et al., 2023).
Um estudo brasileiro incluiu exclusivamente mulheres (100%) com idade média de 51,9 anos, residentes em área de baixo perfil socioeconômico (Chaves et al., 2020).
Em uma análise de usuários de CBD, 93,6% eram mulheres e 91,5% caucasianas, com idade média de 55,5 anos (Boehnke et al., 2021).
No registro britânico, 48,69% dos pacientes eram usuários atuais de cannabis, 37,91% eram inexperientes e 13,40% ex-usuários no momento da inclusão (Wang et al., 2023).
Eficácia Reportada
Em um estudo controlado, o grupo cannabis apresentou escore total significativamente menor no Questionário de Impacto da Fibromialgia comparado ao placebo após oito semanas (P = 0,005), com diferenças estatísticas nos itens “sentir-se bem”, “capacidade para trabalho” e “dor” (Chaves et al., 2020).
Em uma análise de usuários de CBD, 80,9% dos usuários atuais reportaram melhora da dor, sendo as indicações mais comuns dor, insônia e ansiedade (Till et al., 2025).
Efeitos Adversos
Os efeitos adversos mais frequentemente reportados incluem fadiga (24,51%), boca seca (22,55%), comprometimento da concentração (21,57%) e letargia (21,24%) (Wang et al., 2023). A maioria dos eventos adversos foi classificada como moderada ou leve, sem eventos adversos graves ou incapacitantes.
Em um estudo controlado, o grupo cannabis reportou sonolência (87,5%), tontura (25%), boca seca (25%), melhora do humor (25%) e melhora da libido (12,5%) (Chaves et al., 2020).
Uma revisão sistemática identificou que os principais eventos adversos incluíram sensação de “high”, tontura/vertigem, boca seca, tosse, olhos vermelhos e sonolência, sem eventos adversos sérios reportados (Kurlyandchik et al., 2021).
Limitações
As limitações metodológicas são substanciais na literatura atual. Uma revisão Cochrane concluiu que não havia evidência convincente e imparcial de alta qualidade sugerindo que nabilone fosse útil para tratar fibromialgia, com tolerabilidade baixa nesta população (Latorraca et al., 2018).
Referências Científicas
- [1] Till, Sara R; Whitmore, Gabrielle; As-Sanie, Sawsan; Matallana, Lynne; Boehnke, Kevin F (2025). Cannabidiol Use and Perceptions of Effectiveness in Women With Chronic Pelvic Pain.. Journal of obstetrics and gynaecology Canada : JOGC = Journal d'obstetrique et gynecologie du Canada : JOGC. PMID: 40216330
- [2] Wang, Claire; Erridge, Simon; Holvey, Carl; Coomber, Ross; Usmani, Azfer; Sajad, Mohammed; Guru, Rahul; Holden, Wendy; Rucker, James J; Platt, Michael W; Sodergren, Mikael H (2023). Assessment of clinical outcomes in patients with fibromyalgia: Analysis from the UK Medical Cannabis Registry.. Brain and behavior. PMID: 37199833
- [3] Boehnke, Kevin F; Gagnier, Joel J; Matallana, Lynne; Williams, David A (2022). Cannabidiol Product Dosing and Decision-Making in a National Survey of Individuals with Fibromyalgia.. The journal of pain. PMID: 34214700
- [4] Bettstetter, Horst; Schäfer, Arne (2024). [Tetrahydrocannabinol (THC) in patients with fibromyalgia syndrome (FMS) : A retrospective study of changes in pain, psychometric variables, and analgesic consumption during inpatient interdisciplinary multimodal pain therapy (IMPT)].. Schmerz (Berlin, Germany). PMID: 37289246
- [5] Kurlyandchik, Inna; Tiralongo, Evelin; Schloss, Janet (2021). Safety and Efficacy of Medicinal Cannabis in the Treatment of Fibromyalgia: A Systematic Review.. Journal of alternative and complementary medicine (New York, N.Y.). PMID: 33337931
- [6] Boehnke, Kevin F; Gagnier, Joel J; Matallana, Lynne; Williams, David A (2021). Substituting Cannabidiol for Opioids and Pain Medications Among Individuals With Fibromyalgia: A Large Online Survey.. The journal of pain. PMID: 33992787
- [7] Latorraca, Carolina de Oliveira Cruz; Pacheco, Rafael Leite; Martimbianco, Ana Luiza Cabrera; Pachito, Daniela Vianna; Riera, Rachel (2018). What do Cochrane systematic reviews say about the use of cannabinoids in clinical practice?. Sao Paulo medical journal = Revista paulista de medicina. PMID: 30365598
- [8] Chaves, Carolina; Bittencourt, Paulo Cesar T; Pelegrini, Andreia (2020). Ingestion of a THC-Rich Cannabis Oil in People with Fibromyalgia: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial.. Pain medicine (Malden, Mass.). PMID: 33118602
As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.
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