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Cannabis e Doença de Huntington: Casos Clínicos

4 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Pacientes Descritos

Os estudos clínicos em doença de Huntington incluíram pacientes com diferentes características. No estudo com nabilone, foram randomizados 44 pacientes, sendo 22 que receberam nabilone (1 ou 2 mg) seguido por placebo e 22 que receberam placebo seguido por nabilone (Curtis et al., 2009).

O estudo com Sativex incluiu 26 pacientes randomizados, dos quais 24 completaram o ensaio clínico (López-Sendón Moreno et al., 2016).

Para o cannabidiol, foram avaliados 15 pacientes livres de neurolépticos com doença de Huntington (Consroe et al., 1991).

Protocolo Utilizado

O protocolo com nabilone consistiu em um estudo duplo-cego, controlado por placebo, cruzado, utilizando nabilone versus placebo (Curtis et al., 2009).

O Sativex foi administrado como spray oral, até 12 borrifadas por dia durante 12 semanas, em um ensaio duplo-cego, randomizado, controlado por placebo, cruzado (López-Sendón Moreno et al., 2016).

O cannabidiol foi administrado por via oral na dose de 10 mg/kg/dia durante 6 semanas, comparado com placebo (óleo de gergelim por 6 semanas) sob desenho duplo-cego, randomizado, cruzado (Consroe et al., 1991). A dose média diária foi de aproximadamente 700 mg/dia (Consroe et al., 1991).

Resultados Observados

O nabilone foi considerado seguro e bem tolerado, sem episódios psicóticos (Curtis et al., 2009). A avaliação de qualquer dose de nabilone versus placebo mostrou diferença de tratamento de 0,86 (IC 95%: -1,8 a 3,52) para escore motor total; 1,68 (IC 95%: 0,44 a 2,92) para coreia; 3,57 (IC 95%: -3,41 a 10,55) para cognição UHDRS; 4,01 (IC 95%: -0,11 a 8,13) para comportamento UHDRS, e 6,43 (IC 95%: 0,2 a 12,66) para o inventário neuropsiquiátrico (Curtis et al., 2009).

O Sativex demonstrou segurança e tolerabilidade, sendo confirmada a ausência de eventos adversos graves e nenhuma deterioração maior das escalas motoras, cognitivas, comportamentais e funcionais durante a fase de tratamento ativo (López-Sendón Moreno et al., 2016). Não foram detectadas diferenças nos escores motores (p = 0,286), cognitivos (p = 0,824), comportamentais (p = 1,0) e funcionais (p = 0,581) durante o tratamento com Sativex comparado ao placebo (López-Sendón Moreno et al., 2016).

O cannabidiol não foi sintomaticamente eficaz nem tóxico em relação ao placebo em pacientes livres de neurolépticos com doença de Huntington (Consroe et al., 1991). Os níveis plasmáticos de CBD variaram de 5,9 a 11,2 ng/ml ao longo das 6 semanas de administração (Consroe et al., 1991). A meia-vida de eliminação do CBD foi estimada em cerca de 2-5 dias (Consroe et al., 1991).

Considerações

Os dados sugerem que estudos futuros devem considerar doses mais altas, períodos de tratamento mais longos e/ou combinações alternativas de canabinoides (López-Sendón Moreno et al., 2016).

Um ensaio clínico randomizado maior e mais longo com nabilone na doença de Huntington foi considerado viável e justificado (Curtis et al., 2009).

Estudos em larga escala são necessários para testar os benefícios da cannabis medicinal em pacientes com doença de Huntington, e os clínicos podem considerar prescrever cannabis medicinal como parte de sua estratégia para melhor tratamento sintomático de pacientes com doença de Huntington (Akinyemi et al., 2020).

Referências Científicas

  1. [1] Curtis, Adrienne; Mitchell, Ian; Patel, Smitaa; Ives, Natalie; Rickards, Hugh (2009). A pilot study using nabilone for symptomatic treatment in Huntington's disease.. Movement disorders : official journal of the Movement Disorder Society. PMID: 19845035
  2. [2] López-Sendón Moreno, Jose Luis; García Caldentey, Juan; Trigo Cubillo, Patricia; Ruiz Romero, Carolina; García Ribas, Guillermo; Alonso Arias, M A Alonso; García de Yébenes, María Jesús; Tolón, Rosa María; Galve-Roperh, Ismael; Sagredo, Onintza; Valdeolivas, Sara; Resel, Eva; Ortega-Gutierrez, Silvia; García-Bermejo, María Laura; Fernández Ruiz, Javier; Guzmán, Manuel; García de Yébenes Prous, Justo (2016). A double-blind, randomized, cross-over, placebo-controlled, pilot trial with Sativex in Huntington's disease.. Journal of neurology. PMID: 27159993
  3. [3] Consroe, P; Laguna, J; Allender, J; Snider, S; Stern, L; Sandyk, R; Kennedy, K; Schram, K (1991). Controlled clinical trial of cannabidiol in Huntington's disease.. Pharmacology, biochemistry, and behavior. PMID: 1839644
  4. [4] Akinyemi, Edward; Randhawa, Gavin; Longoria, Victor; Zeine, Rana (2020). Medical Marijuana Effects in Movement Disorders, Focus on Huntington Disease; A Literature Review.. Journal of pharmacy & pharmaceutical sciences : a publication of the Canadian Society for Pharmaceutical Sciences, Societe canadienne des sciences pharmaceutiques. PMID: 33064979

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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