| Biblioteca de evidências em cannabis

Cannabis e Doença de Huntington: Dosagem e Protocolo

5 artigos citados Atualizado em: 17/02/2026

Dados de Dosagem dos Estudos

Cannabidiol (CBD)

O estudo controlado de Consroe et al. (1991) avaliou CBD oral na dose de 10 mg/kg/dia por 6 semanas em 15 pacientes com doença de Huntington, equivalendo a aproximadamente 700 mg/dia. Os níveis plasmáticos de CBD variaram de 5,9 a 11,2 ng/ml durante as 6 semanas de administração, com meia-vida de eliminação estimada entre 2-5 dias.

Sativex (THC:CBD 1:1)

O estudo de López-Sendón Moreno et al. (2016) utilizou Sativex em spray oral, com administração de até 12 borrifadas por dia durante 12 semanas. O Sativex contém uma combinação equimolecular de delta-9-tetrahydrocannabinol e cannabidiol.

Nabilone

O estudo piloto de Curtis et al. (2009) avaliou nabilone nas doses de 1 ou 2 mg em 44 pacientes randomizados, demonstrando que o medicamento foi seguro e bem tolerado, sem episódios psicóticos.

Canabinoides Menores - Dados Pré-clínicos

A revisão sistemática de Stone et al. (2020) identificou que cannabigerol (CBG) mostrou eficácia em modelos de Huntington na faixa de 5 a 20 mg/kg. Estudos específicos utilizaram CBG 10 mg/kg intraperitonealmente por 4 injeções a cada 24 horas durante 6 semanas em modelos murinos.

Vias de Administração

Todos os estudos clínicos utilizaram via oral como rota de administração. O CBD foi administrado como óleo oral, o Sativex como spray oromucosal, e o nabilone por via oral. Os estudos pré-clínicos utilizaram tanto administração oral quanto intraperitoneal para os canabinoides menores.

População Estudada

Os estudos clínicos incluíram pacientes com doença de Huntington confirmada. O estudo de Consroe et al. (1991) avaliou 15 pacientes livres de neurolépticos, enquanto López-Sendón Moreno et al. (2016) randomizou 26 pacientes, dos quais 24 completaram o estudo. O estudo de Curtis et al. (2009) incluiu 44 pacientes randomizados.

Limitações

Os estudos apresentam limitações importantes. López-Sendón Moreno et al. (2016) concluíram que estudos futuros devem considerar doses mais altas, períodos de tratamento mais longos e/ou combinações alternativas de canabinoides. Consroe et al. (1991) observaram que o CBD na dose testada não foi sintomaticamente eficaz nem tóxico em relação ao placebo.

A revisão de Pidgeon et al. (2013) destacou que a base de evidências para o manejo farmacológico da doença de Huntington é limitada, com necessidade clara de estudos controlados randomizados de alta qualidade, particularmente para sintomas não-motores.

Referências Científicas

  1. [1] López-Sendón Moreno, Jose Luis; García Caldentey, Juan; Trigo Cubillo, Patricia; Ruiz Romero, Carolina; García Ribas, Guillermo; Alonso Arias, M A Alonso; García de Yébenes, María Jesús; Tolón, Rosa María; Galve-Roperh, Ismael; Sagredo, Onintza; Valdeolivas, Sara; Resel, Eva; Ortega-Gutierrez, Silvia; García-Bermejo, María Laura; Fernández Ruiz, Javier; Guzmán, Manuel; García de Yébenes Prous, Justo (2016). A double-blind, randomized, cross-over, placebo-controlled, pilot trial with Sativex in Huntington's disease.. Journal of neurology. PMID: 27159993
  2. [2] Curtis, Adrienne; Mitchell, Ian; Patel, Smitaa; Ives, Natalie; Rickards, Hugh (2009). A pilot study using nabilone for symptomatic treatment in Huntington's disease.. Movement disorders : official journal of the Movement Disorder Society. PMID: 19845035
  3. [3] Consroe, P; Laguna, J; Allender, J; Snider, S; Stern, L; Sandyk, R; Kennedy, K; Schram, K (1991). Controlled clinical trial of cannabidiol in Huntington's disease.. Pharmacology, biochemistry, and behavior. PMID: 1839644
  4. [4] Stone, Nicole L; Murphy, Alexandra J; England, Timothy J; O'Sullivan, Saoirse E (2020). A systematic review of minor phytocannabinoids with promising neuroprotective potential.. British journal of pharmacology. PMID: 32608035
  5. [5] Pidgeon, Connie; Rickards, Hugh (2013). The pathophysiology and pharmacological treatment of Huntington disease.. Behavioural neurology. PMID: 22713409

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

Pergunte ao Carl

IA do Linio · respostas com base em evidências