Pacientes Descritos
O principal estudo randomizado controlado incluiu 147 participantes com idade mediana de 56 anos (25-80), sendo 78% mulheres (Grimison et al., 2024). Os pacientes apresentavam náusea e/ou vômito refratários durante quimioterapia moderadamente ou altamente emetogênica, apesar de profilaxia antiemética consistente com diretrizes. A emetogenicidade da quimioterapia foi classificada como alta em 53% e moderada em 47% dos casos (Grimison et al., 2024).
Todos os participantes haviam recebido pelo menos um ciclo da mesma quimioterapia antes da inclusão, com 46% tendo recebido dois ou mais ciclos (Grimison et al., 2024). A profilaxia antiemética de base incluiu dexametasona e antagonista 5-HT3 em 97% dos casos, antagonista NK-1 em 80%, e olanzapina em 10% (Grimison et al., 2024).
Protocolo Utilizado
O protocolo consistiu em cápsulas orais contendo tetrahidrocanabinol 2,5mg mais canabidiol 2,5mg (THC:CBD) ou placebo correspondente, administradas três vezes ao dia do dia -1 ao dia 5, em adição aos antieméticos padronizados (Grimison et al., 2024). A dose mediana de cápsulas tomadas por dose no ciclo A foi de duas cápsulas para THC:CBD, equivalendo a 5mg de THC e 5mg de CBD três vezes ao dia (Grimison et al., 2024).
Resultados Observados
A proporção de participantes com resposta completa (definida como ausência de vômito ou ânsia de vômito e não uso de medicações de resgate) durante a fase geral (0-120 horas) foi significativamente superior com THC:CBD versus placebo: 24% versus 8%, diferença absoluta de 16% (IC 95%, 4 a 28, P = 0,01) (Grimison et al., 2024).
Efeitos similares foram observados para não uso de medicações de resgate (28% versus 9%, diferença absoluta 19%, IC 95%, 6 a 31, P = 0,01) e ausência de náusea significativa (20% versus 7%, diferença absoluta 13%, IC 95%, 2 a 24, P = 0,03) (Grimison et al., 2024). O número de vômitos por dia e os escores de náusea também foram melhores para aqueles designados para THC:CBD em comparação ao placebo (Grimison et al., 2024).
Na análise de qualidade de vida, os escores da escala resumo de náusea do FLIE foram superiores (melhores) entre aqueles designados para THC:CBD comparado ao placebo: médias 67 versus 48, diferença 19 (IC 95%, 9 a 28, P < 0,001) (Grimison et al., 2024).
Considerações
A melhora absoluta (16%) e relativa (3,0) nas taxas de resposta completa no estudo excedeu a melhora absoluta de 10% considerada suficiente para justificar mudanças nas recomendações de diretrizes antieméticas (Grimison et al., 2024). Os dados suportam que THC:CBD oral é uma opção eficaz e segura para prevenção de náusea e vômito induzidos por quimioterapia refratária (Grimison et al., 2024).
Referências Científicas
- [1] Grimison, Peter; Mersiades, Antony; Kirby, Adrienne; Tognela, Annette; Olver, Ian; Morton, Rachael L; Haber, Paul; Walsh, Anna; Lee, Yvonne; Abdi, Ehtesham; Della-Fiorentina, Stephen; Aghmesheh, Morteza; Fox, Peter; Briscoe, Karen; Sanmugarajah, Jasotha; Marx, Gavin; Kichenadasse, Ganessan; Wheeler, Helen; Chan, Matthew; Shannon, Jenny; Gedye, Craig; Begbie, Stephen; Simes, R John; Stockler, Martin R (2024). Oral Cannabis Extract for Secondary Prevention of Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting: Final Results of a Randomized, Placebo-Controlled, Phase II/III Trial.. Journal of clinical oncology : official journal of the American Society of Clinical Oncology. PMID: 39151115
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