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Cannabis e Náusea e Vômito por Quimioterapia: Estudos Recentes

3 artigos citados Atualizado em: 13/02/2026

Estudos Publicados Recentemente

O estudo randomizado, controlado por placebo, fase II/III de Grimison et al. (2024) representa o maior ensaio clínico recente sobre canabinoides para náusea e vômito induzidos por quimioterapia (NVIQ). O estudo avaliou 147 pacientes com NVIQ refratária apesar de profilaxia antiemética consistente com diretrizes, utilizando cápsulas orais contendo THC 2,5 mg mais CBD 2,5 mg três vezes ao dia.

Os resultados demonstraram que o THC:CBD melhorou significativamente a taxa de resposta completa (definida como ausência de vômito ou ânsia de vômito e não uso de medicações de resgate) de 8% para 24% comparado ao placebo (diferença absoluta 16%, IC 95% 4-28, p = 0,01). A dose mais frequentemente titulada foi 5 mg de THC com 5 mg de CBD três vezes ao dia.

Principais Resultados

A meta-análise de Bilbao et al. (2022) analisou 152 ensaios clínicos randomizados (12.123 participantes) avaliando diferentes canabinoides farmacêuticos. Para náusea e vômito, os dados sugerem eficácia geral dos canabinoides (SMD -0,29, IC 95% -0,39 a -0,18; p < 0,00001), embora a confiança nos resultados de estudos anteriores seja baixa devido à falta de rigor metodológico.

O estudo de Grimison et al. (2024) também demonstrou benefícios significativos em desfechos secundários: ausência de náusea significativa (20% vs 7%, diferença absoluta 13%, p = 0,03) e não uso de medicações de resgate (28% vs 9%, diferença absoluta 19%, p = 0,01). Os escores de qualidade de vida na escala FLIE para náusea foram superiores no grupo THC:CBD (67 vs 48, diferença 19, p < 0,001).

Uma revisão narrativa de Hsu et al. (2026) reporta que meta-análise de ensaios clínicos randomizados demonstrou redução pequena mas significativa em náusea e vômito de várias causas ao comparar canabinoides prescritos com placebo ou comparadores ativos (SMD -0,29, IC 95% -0,39 a -0,18).

Implicações para a Prática

O estudo de Grimison et al. (2024) utilizou profilaxia antiemética moderna como base, incluindo corticosteroide e antagonista 5-HT3 em 97% dos pacientes, antagonista NK-1 em 80%, e olanzapina em 10%. A melhora absoluta de 16% e melhora relativa de 3,0 na resposta completa excedeu a melhora absoluta de 10% considerada suficiente para justificar mudanças nas diretrizes antieméticas.

A análise comparativa dos autores sugere que os resultados foram pelo menos comparáveis a estudos modernos de aprepitant e olanzapina (13%-15%, 1,2-1,7) e superiores a estudos mais antigos de canabinoides (23%-33% e 1,2-10, respectivamente). As taxas de resposta completa (24% para THC:CBD e 8% para placebo) foram menores que tipicamente reportadas em estudos de profilaxia antiemética primária, refletindo a população de estudo com NVIQ refratária.

Limitações

O estudo de Grimison et al. (2024) foi interrompido precocemente devido ao recrutamento lento, reduzindo o poder estatístico embora não enviesando os resultados. Apenas 10% dos participantes utilizaram olanzapina, que foi adicionada às diretrizes de prática clínica durante o período de recrutamento do estudo.

Os eventos adversos de interesse especial moderados a graves foram mais frequentes no grupo THC:CBD: sedação (18% vs 7%), tontura (10% vs 0%) e ansiedade transitória (4% vs 1%). Dois participantes descontinuaram o THC:CBD após a primeira dose devido a efeitos neuropsiquiátricos transitórios. Não foram atribuídos eventos adversos graves ao THC:CBD.

Barreiras importantes para implementação incluem efeitos adversos, atitudes culturais, restrições legais e necessidade de restrição da condução de veículos. A alta taxa de falhas no rastreamento e interrupção precoce por recrutamento lento refletem esses desafios práticos.

Referências Científicas

  1. [1] Grimison, Peter; Mersiades, Antony; Kirby, Adrienne; Tognela, Annette; Olver, Ian; Morton, Rachael L; Haber, Paul; Walsh, Anna; Lee, Yvonne; Abdi, Ehtesham; Della-Fiorentina, Stephen; Aghmesheh, Morteza; Fox, Peter; Briscoe, Karen; Sanmugarajah, Jasotha; Marx, Gavin; Kichenadasse, Ganessan; Wheeler, Helen; Chan, Matthew; Shannon, Jenny; Gedye, Craig; Begbie, Stephen; Simes, R John; Stockler, Martin R (2024). Oral Cannabis Extract for Secondary Prevention of Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting: Final Results of a Randomized, Placebo-Controlled, Phase II/III Trial.. Journal of clinical oncology : official journal of the American Society of Clinical Oncology. PMID: 39151115
  2. [2] Bilbao, Ainhoa; Spanagel, Rainer (2022). Medical cannabinoids: a pharmacology-based systematic review and meta-analysis for all relevant medical indications.. BMC medicine. PMID: 35982439
  3. [3] Hsu, Michael; Shah, Arya; Jordan, Ayana; Gold, Mark S; Hill, Kevin P (2026). Therapeutic Use of Cannabis and Cannabinoids: A Review.. JAMA. PMID: 41296368

As informações desta biblioteca são baseadas em revisão da literatura científica disponível e têm propósito exclusivamente educacional. A prescrição de cannabis medicinal deve considerar a avaliação clínica individual, histórico do paciente e regulamentação vigente. Decisões terapêuticas são de responsabilidade exclusiva do prescritor.

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