Principais Achados Clínicos
O estudo clínico mais significativo sobre canabinoides para náusea induzida por quimioterapia foi um ensaio randomizado, controlado por placebo, fase II/III que avaliou uma formulação oral de THC:CBD em pacientes com náusea e vômito refratários (Grimison et al., 2024). O estudo demonstrou que THC:CBD melhorou significativamente a taxa de resposta completa (definida como ausência de vômito ou ânsia e não uso de medicações de resgate) de 8% no grupo placebo para 24% no grupo tratamento, representando uma diferença absoluta de 16% (IC 95%, 4 a 28, P = 0,01).
Desenho e Qualidade dos Estudos
O estudo de Grimison et al. foi desenhado como um ensaio randomizado, controlado por placebo, de duas fases (II/III), com análise combinada pré-especificada (Grimison et al., 2024). O recrutamento foi interrompido precocemente devido ao recrutamento lento, antes das análises dos desfechos do estudo, reduzindo o poder para detectar diferenças entre os grupos, mas sem enviesar os resultados.
A meta-análise de Bilbao et al. incluiu 152 ensaios clínicos randomizados (12.123 participantes) analisados de acordo com o tipo de canabinoide, desfecho e comparador utilizado (Bilbao et al., 2022). Para náusea e vômito, a evidência foi classificada como de baixa qualidade para dronabinol versus placebo e dronabinol versus comparador ativo, e baixa qualidade para nabilone versus placebo e versus comparador ativo.
Dados de Segurança
No estudo de THC:CBD, eventos adversos de interesse especial autorrelatados (qualquer gravidade) durante o ciclo A foram mais frequentes entre aqueles designados para THC:CBD do que placebo (74% vs 38%) (Grimison et al., 2024). Os eventos adversos moderados a graves mais frequentemente reportados foram sedação (18% vs 7%), tontura (10% vs 0%) e ansiedade transitória (4% vs 1%). Dois participantes descontinuaram o estudo após a primeira dose de THC:CBD devido à ansiedade transitória.
Eventos adversos graves foram reportados com frequência similar entre aqueles designados para THC:CBD e placebo (5% vs 8%), e os investigadores não atribuíram eventos adversos graves ao tratamento com THC:CBD (Grimison et al., 2024). A única morte foi por neutropenia febril no grupo placebo.
Limitações da Evidência Atual
Existem barreiras importantes para o uso de THC:CBD oral para náusea e vômito induzidos por quimioterapia na prática clínica de rotina, incluindo efeitos adversos, atitudes culturais e restrições legais ao uso de canabinoides (Grimison et al., 2024). A alta taxa de falhas de triagem e interrupção precoce por recrutamento lento refletem esses desafios.
Referências Científicas
- [1] Grimison, Peter; Mersiades, Antony; Kirby, Adrienne; Tognela, Annette; Olver, Ian; Morton, Rachael L; Haber, Paul; Walsh, Anna; Lee, Yvonne; Abdi, Ehtesham; Della-Fiorentina, Stephen; Aghmesheh, Morteza; Fox, Peter; Briscoe, Karen; Sanmugarajah, Jasotha; Marx, Gavin; Kichenadasse, Ganessan; Wheeler, Helen; Chan, Matthew; Shannon, Jenny; Gedye, Craig; Begbie, Stephen; Simes, R John; Stockler, Martin R (2024). Oral Cannabis Extract for Secondary Prevention of Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting: Final Results of a Randomized, Placebo-Controlled, Phase II/III Trial.. Journal of clinical oncology : official journal of the American Society of Clinical Oncology. PMID: 39151115
- [2] Bilbao, Ainhoa; Spanagel, Rainer (2022). Medical cannabinoids: a pharmacology-based systematic review and meta-analysis for all relevant medical indications.. BMC medicine. PMID: 35982439
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